Pastor Alemão de Linhagem Antiga — Treino, na prática

Foco

Nenhum cão obedece se não estiver focado e a olhar para quem faz o pedido. O foco é o alicerce de tudo o resto.

Desde o dia em que chega, recompense o contacto visual. Faça um som cativante que o leve a olhá-lo nos olhos e recompense de imediato. Daí em diante, sempre que ele olhar, recompense — no início de forma sistemática.

Recomendamos uma palavra de recompensa — YES, SIM, BOA — para indicar que a recompensa vem a seguir. É o mesmo princípio do clicker, com a vantagem de estar sempre consigo.

Comece com recompensas alimentares que ele aprecie; só depois de muito treino se passa a brinquedos e festas. Com o tempo, prolongue o tempo de olhar antes de recompensar. E antes de qualquer pedido — senta, deita, fica — espere primeiro pelo contacto visual.

Chamada

É o comando mais importante, e é o que dá liberdade ao cão.

Desde o primeiro minuto, o nome tem de ser sinónimo de algo espetacular. Diga-o em tom divertido e convidativo, e recompense sempre que ele virar a cabeça, olhar ou vir.

No jardim ou no parque, ande com uma guia longa e com guloseimas. Se ele vier à chamada, recompensa imediata. Se não vier, puxe pela guia e faça-o vir — e aí dá só festa e uma palavra de apreço, sem guloseima, porque teve de ser o dono a obrigá-lo.

Nunca faça isto com a chamada

Não use o nome dele para punir, nem o diga em tom reprovador ou irritado.

E evite situações em que ele possa falhar: se o chamar sem guia e ele puder ignorar, está a ensinar-lhe que ignorar não tem consequência. Só se solta da trela um cão com chamada sólida.

Palavras de recompensa

Tenha pelo menos duas:

  • De alto valor — YES, BOA, SIM. Sempre que é dita, há mesmo recompensa alimentar.
  • De médio valor — GOOD BOY, MUITO BEM, BRAVO, LINDO. Indica que está a ir bem e a continuar, e traz festa.

No cachorro, premeie todos os sucessos com comida e a palavra de alto valor. Depois vá alternando. Com o tempo, ouvir a palavra de alto valor passa a ser suficiente para ele saber que a recompensa vem — o que aumenta muito o foco e a vontade de treinar.

Peça aos familiares para não usarem a palavra de alto valor sem terem mesmo algo para dar. Desvalorizada, deixa de funcionar.

Falar com o cão

Os cães comunicam por linguagem corporal. Falar é um ato humano — eles aprendem algumas palavras e comandos, e mais nada.

No treino, use o mínimo de linguagem verbal. Diga o comando uma vez; se o cão não corresponder, faça-o executar — com o corpo, com a comida ou com a trela. Repetir o comando quatro vezes não é insistência: é ensinar-lhe que pode ignorar as três primeiras.

Treine em ambiente calmo, com voz projetada e divertida, articulando bem. Postura segura, voz confiante. E escolha de antemão o dicionário que vai usar, pedindo ao resto da casa que use as mesmas palavras.

Timings de recompensa

É a parte mais decisiva do treino. Não peça nada se não tiver a recompensa pronta. Na fase inicial, se o timing não for imediato, ele não associa o pedido à recompensa e acaba por perder o interesse.

Perceba o que o motiva — que snacks gosta mais. Treine depois de ele já ter brincado, passeado e gasto energia, e de preferência antes da refeição, para ter o motivador da fome.

Se num dado momento ele não estiver motivado — cansado, sem fome, hiperexcitado — deixe o treino para depois. Insistir só gera frustração, e a frustração passa para o cão.

Termine sempre em alta, enquanto ele ainda está motivado. Nunca espere que seja ele a desistir.

Como corrigir

Não espere que o cão seja adulto para corrigir o que vem a persistir desde cachorro. Sempre que ele fizer alguma coisa, projete-a para quando tiver o peso e a força de adulto: saltar, abocanhar, ladrar, puxar, correr atrás de animais, roer móveis, escavar.

Para corrigir: voz grave, alta e seca, um «NÃO», e remover o cão da situação ou o objeto da boca. Com trela, um toque seco na coleira ou no peitoral ao mesmo tempo que diz «não». Depois redirecione para algo mais interessante — um brinquedo, um alimento de mastigação.

Isto exige que ele só ande solto com supervisão. Quando não o pode vigiar, deve ficar num sítio seguro: crate, parque ou uma zona da casa dedicada a ele.

Regras de boa conduta, uma a uma

  • Esperar para comer. Exercício diário, a começar em segundos.
  • Esperar nas portas. Ele espera que a porta abra, fica uns segundos calmo, passa consigo sem puxar.
  • Esperar para sair do carro. A saída é euforia pura e tem de ser gerida. Peça «fica», espere que acalme, e só depois autorize. Se estiver sozinho, prenda a trela de forma a ele não conseguir saltar: assim autocorrige-se.
  • Não saltar. Ignore-o até ele se sentar à sua frente, e só aí recompense. Peça o mesmo às visitas. Nunca recue nem o empurre — só aumenta a vontade de saltar.
  • Não abocanhar. Pare imediatamente de lhe tocar, diga um «não» firme e mantenha-se na posição. Redirecione para um brinquedo.
  • Espaço próprio e horário. Crate, canil ou parque, com rotinas de dormida, alimentação, passeio, brincadeira e treino.
  • Não puxar à trela. Pare sempre que ele puxar; espere que olhe para si. Pode mudar de direção se ele não estiver interessado. Os primeiros passeios ficam aborrecidos — e o resultado vale a pena.
  • Reações a outros animais. Se ele fixar e começar a rosnar ou ladrar, «NÃO» seco e toque de trela. Recompense quando desviar o olhar para si. Se não resultar, afaste-se até à distância em que ele já não reage, e trabalhe a partir daí.
  • Estar sozinho. Passeie e brinque antes de sair, deixe brinquedo e petisco, e vá embora sem alarido. Sem voz de bebé, sem festas vigorosas, sem demorar a sair do campo de visão.
  • Manuseio. Escovar, tocar em orelhas, nariz, boca, dentes e barriga, deixar-se colocar em posição lateral. É natural ele debater-se ao início — ignore e continue, recompensando a calma.

Treinar cães é repetição, dedicação e consistência. Linguagem simples, palavras curtas, sem repetições, calma e sorriso. Sessões curtas de 1 a 15 minutos, sempre a terminar com o cão ainda motivado e numa boa nota.

E se travar

Acontece a toda a gente. Ligue-nos antes de o problema assentar — conhecemos o cão, conhecemos os pais dele e sabemos como costuma reagir esta linhagem.

E se precisar de o deixar connosco por uns dias, o Dog Eco Resort é aqui na quinta: creche e hotel, com supervisão e com grupos organizados por perfil. O acompanhamento não acaba no dia em que o cachorro sai — continua enquanto ele viver.

Estamos sempre cá para ajudar.

Uma dúvida, um comportamento novo, uma fase mais difícil — ligue-nos. Continuamos disponíveis ao longo de toda a vida do cão. Não é cortesia: faz parte do que fica combinado quando um cachorro sai daqui.

E no Dog Eco Resort, aqui na quinta, somos centro de treino e de desporto canino, com aulas particulares para o seu cão e a sua família. Quando precisar de o deixar — férias, trabalho, um dia complicado — há também creche e hotel, com as mesmas pessoas.

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