Cores do Pastor Alemão de Linhagem Antiga: História e Genética
O Pastor Alemão de Linhagem Antiga nasce de uma base genética diversa, funcional e historicamente rica.
Neste artigo explicamos, de forma clara e factual, a origem das cores, o seu enquadramento genético
e as decisões humanas que, ao longo do tempo, moldaram os standards modernos.
Aqui distinguimos genética, história e função de critérios estéticos e administrativos,
ajudando a compreender porque a diversidade de cores sempre fez parte da essência da raça.

Facto essencial
O branco não é doença nem albinismo.
Base histórica
O branco sempre existiu no Pastor Alemão.
Decisão humana
A exclusão foi estética e administrativa.
A origem: uma pool genética diversa
O Pastor Alemão não nasceu como uma raça uniforme. No final do século XIX, na Alemanha, existia uma vasta população de cães de pastor regionais, usados para trabalho funcional: pastoreio, guarda e proteção.
Estes cães provinham sobretudo de regiões como Turíngia, Saxónia, Baviera e Württemberg, e incluíam aquilo que hoje se designa genericamente por Altdeutsche Hütehunde (Old German Herding Dogs).
Não eram selecionados por cor ou estética, mas sim por resistência, inteligência, temperamento equilibrado e capacidade de trabalho. A diversidade de cores e pelagens era natural e aceite


Horand von Grafrath e a padronização
Em 1899, Max von Stephanitz funda o Verein für Deutsche Schäferhunde (SV) e regista o primeiro Pastor Alemão oficial: Horand von Grafrath (originalmente Hektor Linksrhein).
Horand era lobeiro (sable), funcional e representativo dos cães de trabalho da época. A visão inicial era clara: utilidade e equilíbrio acima da aparência.
Com o passar das décadas, a raça começou a ser progressivamente padronizada para exposições, e não apenas para função — e aí começam as restrições artificiais de certos fenótipos, incluindo cores e tipos de pelo.
Cores na origem
Na pool original de pastores alemães existiam naturalmente várias cores, entre as quais:
Lobeiro / sable (em múltiplas tonalidades)
Preto sólido
Preto dominante / “smoke”
Azul
Castanho e variações naturais
Branco genético recessivo
Estas cores não eram defeitos. Eram expressões normais da genética canina. A exclusão de algumas cores surge mais tarde, associada à estandardização e a decisões administrativas de clubes de exposição.
Genética das cores (explicação simples)
As cores resultam da interação de vários loci genéticos.
Não existe qualquer “gene mau” associado à cor.
- Locus A — padrões lobeiros
- Locus K — preto dominante
- Locus E — expressão do pigmento

Importante: não existe um “gene mau” de cor. O que existe são decisões humanas de aceitação/exclusão.

O branco: factos essenciais
O branco é uma expressão genética recessiva, não é albinismo,
não está associado a doença e sempre existiu na raça.
Altdeutscher Schäferhund (Pastor Alemão de Linhagem Antiga) e a diversidade de cores
O Altdeutscher Schäferhund é uma preservação consciente de traços que ficaram à margem da padronização moderna, com foco na funcionalidade, temperamento e diversidade genética.
Em vários países europeus, comunidades e criadores dedicados a linhagens antigas preservam cores naturais históricas sem as restrições rígidas típicas de circuitos de exposição, precisamente por priorizarem saúde e utilidade.
Neste contexto, a cor não é critério principal: nunca se sobrepõe à saúde, estabilidade emocional e estrutura funcional.
Diferenças face às linhas modernas
Linhas modernas de beleza (padrão de exposições):
Cores aceites mais restritas
Exclusão histórica de certos fenótipos (incluindo branco e pelo comprido durante décadas)
Seleção fortemente estética e maior uniformização
Linhagem antiga (Altdeutscher Schäferhund):
Aceitação de cores naturais históricas
Seleção por saúde, temperamento, funcionalidade e equilíbrio
Maior diversidade genética e ligação às origens da raça
Standards evoluem
A exclusão do branco e do pelo comprido resultou de critérios estéticos.
A genética manteve-se inalterada — mudou apenas o enquadramento institucional.

Conclusão
O Pastor Alemão de Linhagem Antiga não é uma tendência. É memória viva da raça. As cores contam uma história de trabalho, diversidade e respeito pela genética natural.
Preservá-las — sem perder o foco no essencial — é preservar a essência do Pastor Alemão: utilidade, temperamento e equilíbrio.

