Compêndio histórico

A história do pastor alemão de linhagem antiga

Antes de caber num estalão, o pastor alemão tinha de saber trabalhar. O pelo comprido faz parte dessa história: aparece nos primeiros livros da raça, em cães com nome, origem e provas de pastoreio. Durante a sua exclusão da criação no SV, foram criadores fora do clube que continuaram a selecioná-lo. Para compreender o Altdeutscher Schäferhund, o pastor alemão de linhagem antiga, é preciso seguir esse percurso: dos rebanhos aos livros de origens, das decisões dos clubes aos cães que chegaram até nós.

  • 1899fundação do SV em Karlsruhe
  • 1921Stephanitz escreve «o chamado Altdeutscher»
  • 1997o DASV situa a sua fundação neste ano
  • 2008–2011da decisão do SV à aplicação do novo standard FCI
Exposição de pastores alemães na Alemanha nos anos 1920: sete cães em fila com os seus condutores, à frente de uma multidão de chapéu
Uma exposição de pastores alemães na Alemanha, anos 1920. Arquivo Von Silfrohn.
Schafpudel do Münsterland, cão de pastor de pelo comprido e desgrenhado, fotografia do livro de Stephanitz de 1921
Schafpudel do Münsterland, um dos cães de pastor que existiam antes da raça. Fig. 81 do livro de Stephanitz, 1921.Domínio público.
01Antes de haver raça

Cães de rebanho sem nome

Antes da fundação do SV, em 1899, ainda não existia a raça organizada em torno desse clube e do seu livro de origens. Havia cães de pastor alemães, muitos e muito diferentes: orelhas caídas ou direitas, pelo curto, áspero ou desgrenhado, cores do preto ao branco. A aptidão para trabalhar com o rebanho era decisiva na sua seleção. Stephanitz, no primeiro livro da raça, descreve os tipos da Turíngia e de Vurtemberga como os mais marcantes.

Em 1891 houve uma primeira tentativa de pôr ordem nisto. A Sociedade Phylax quis padronizar os cães de pastor alemães e dissolveu-se poucos anos depois, dividida entre quem queria cães bonitos e quem queria cães úteis. Segundo Stephanitz, fundaram-na o capitão Riechelmann-Dunau e o conde von Hahn, e nunca passou do norte e do centro da Alemanha. Dessa mesma altura sobrevivem duas fotografias no Rijksmuseum de Amesterdão: «Stoppelhopser» e «Trutzig», pastores alemães premiados numa exposição em Frankfurt em 1891, oito anos antes de existir o clube da raça.

A experiência da Phylax deixou uma pergunta que atravessa esta história: como conciliar a aparência de um cão com a função para a qual é criado? A seleção das pelagens também faria parte dessa discussão.

Para o pelo desgrenhado, Stephanitz dá a resposta em 1921: perdia o lugar junto do rebanho porque aquecia de mais no verão, tinha de ser tosquiado, carregava barro e gelo e atraía moscas. «O seu pelo desgrenhado», escreve, «afasta-o cada vez mais deste serviço.» O livro de 1901 guarda ainda um destino curioso para os cães demasiado duros para as ovelhas: em Holstein acabavam nas leitarias, a mover as batedeiras de manteiga pisando um tambor.

Pastor alemão de pelo curto de Württemberg, 1921
Pelo curtoTipo de Vurtemberga. Fig. 100, 1921.
Pastor alemão de pelo áspero, 1921
Pelo ásperoVariedade que desapareceu. Fig. 108, 1921.
Página do livro de Stephanitz de 1921 com Russ von der Krone, pastor alemão de pelo desgrenhado do sul
Pelo desgrenhadoTipo do sul, «o chamado Altdeutscher». Fig. 78, 1921.

Do arquivo: os cães de antes

Mais fotografias do livro de 1921, que ainda mostrava o que a raça tinha sido.

Schafpudel, cão de pastor alemão anterior à raça, figura 82 do livro de 1921
Outro Schafpudel. Fig. 82, 1921.Domínio público.
Pastor alemão branco de pelo curto do norte da Alemanha, 1921
Pelo curto do norte, branco. A cor saiu do standard em 1933. Fig. 102, 1921.Domínio público.
Pastor alemão de orelhas grandes, figura 368 do livro de 1921
«Orelhas grandes»: Stephanitz usava fotografias para ensinar o que não queria. Fig. 368, 1921.Sem restrições conhecidas.
Página dupla do livro de Stephanitz de 1921 com esquema de construção
Uma página dupla da edição de 1921, com os esquemas de construção.Sem restrições conhecidas.
021899

Um cão, um homem, um clube

Max Emil Friedrich von Stephanitz era capitão de cavalaria e tinha uma ideia fixa: um cão de pastor alemão com um só tipo, criado para o trabalho. A 22 de abril de 1899, à margem de uma exposição canina em Karlsruhe, fundou com mais treze pessoas o Verein für Deutsche Schäferhunde, o SV. Entre os fundadores estavam três mestres-pastores, dois industriais, um arquiteto, um presidente de câmara, um estalajadeiro e um magistrado. O cofundador mais próximo foi Artur Meyer.

Nessa exposição Stephanitz apresentou o seu cão, Hektor Linksrhein, já rebatizado Horand von Grafrath. Horand tinha nascido em Frankfurt, filho de Kastor e Lene, criado por Sparwasser. Custou 200 marcos e media 61 cm. Foi inscrito com o número 1 do livro de origens, o SZ 1. Tornou-se a referência fundadora da raça, embora a sua formação tenha envolvido muitos outros cães.

Em setembro de 1899, a primeira assembleia geral aprovou em Frankfurt o standard redigido por Meyer e Stephanitz. O historial incluído no standard FCI n.º 166 fixa a data em 20 de setembro. A ideia orientadora era clara: a aparência devia servir a aptidão para o trabalho. Em 1900, Hektor von Schwaben, filho de Horand, foi Sieger.

Horand von Grafrath, o primeiro pastor alemão do livro de origens, de pé e de perfil
Horand von Grafrath, SZ 1. Do livro de Stephanitz.Domínio público.

O Horand, de onde vinha e como era

O livro de 1901 regista-o assim, na legenda da sua fotografia: filho de Kastor e de Lene, criado por Sparwasser em Frankfurt, propriedade de Stephanitz em Grafrath. Na edição de 1923, Stephanitz escreve que Sparwasser tinha ido buscar o seu primeiro par reprodutor ao canil de Wachsmuth, em Hanau, e que todas as linhas a que hoje se chama «de Horand» remontam ao Pollux desse canil, SZ 151. O casal de Hanau, Pollux e Prima, é por isso o que está por trás do Horand; as bases de dados de pedigree dão o Kastor como filho dos dois. A ascendência materna exige distinguir os registos originais das reconstituições posteriores. Uma apresentação histórica da GWS, disponibilizada pela FCI, identifica o cão branco Greif von Sparwasser como avô de Horand; essa referência não equivale à consulta do registo original completo de Lene.

SZ 1Horand von Grafrath

Antes Hektor Linksrhein. Nascido em Frankfurt; a data de 1 de janeiro de 1895 só aparece em fontes secundárias. Criador Friedrich Sparwasser. Comprado por 200 marcos. 61 a 62 cm ao garrote.

PaiKastor

Canil Sparwasser, Frankfurt. Filho de Pollux e Prima segundo as bases de dados de pedigree; o livro de Stephanitz só diz que as linhas de Horand remontam a Pollux.

MãeLene

Canil Sparwasser, Frankfurt. A reconstituição da sua ascendência deve indicar a fonte de cada ligação.

Avô paterno · SZ 151Pollux

Canil Wachsmuth, Hanau. «Todas as famílias a que hoje chamamos linhas de Horand remontam a este Pollux», escreve Stephanitz em 1923.

Avó paternaPrima

Canil Wachsmuth, Hanau. O par Pollux e Prima aparece no livro de 1901 como pais de Fritz von Schwenningen, SZ 20.

Ascendência a confirmar no registo originalGreif von Sparwasser

A apresentação histórica da GWS publicada pela FCI identifica-o como avô de Horand. Não o confundir com os outros cães chamados Greif ilustrados nesta página.

A cor

As fotografias de Horand permitem observar a distribuição de zonas claras e escuras, mas são a preto e branco: não demonstram, por si só, a cor exata do pelo. As descrições modernas que o apresentam como cinzento-amarelado ou lobeiro devem ser tratadas como referências secundárias, separadas daquilo que a imagem permite confirmar.

Do documento · livro de 1901, legenda da fotografia«Hektor Linksrhein genannt Horand von Grafrath, S. Z. Nro. 1, v. Kastor a. Lene. Z. Sparwasser, Frankfurt a. M. B. v. Stephanitz, Grafrath.»«Hektor Linksrhein, chamado Horand von Grafrath, livro de origens n.º 1, filho de Kastor e de Lene. Criador Sparwasser, Frankfurt. Dono von Stephanitz, Grafrath.»Stephanitz, 1901, p. 23. Digitalização da Biblioteca Estatal da Baviera.

O carácter, por quem o conheceu

Do documento · Stephanitz, edição de 1923«Although untrained in his puppyhood, nevertheless obedient to the slightest nod when at his master's side; but when left to himself, the maddest rascal, the wildest ruffian and an incorrigible provoker of strife. Never idle, always on the go; well-disposed to harmless people, but no cringer, mad on children and always — in love.»«Sem treino em cachorro e, mesmo assim, obediente ao mais pequeno aceno quando estava ao lado do dono; mas, entregue a si próprio, o maior patife, o mais selvagem dos rufias e um provocador de brigas incorrigível. Nunca parado, sempre a mexer; bem-disposto com as pessoas inofensivas, mas sem servilismo, louco por crianças e sempre, sempre apaixonado.»The German Shepherd Dog in Word and Picture, 1923, pp. 136–137.

Stephanitz diz também que era grande para a época, 61 a 62 cm, «de osso forte, linhas bonitas e cabeça nobre», e que os defeitos que tinha eram da educação, não da raça.

Hektor von Schwaben, filho de Horand, Sieger de 1900, de pé e de perfil
Hektor von Schwaben, filho de Horand e Sieger de 1900. Livro de 1901.Domínio público.
Max von Stephanitz, fundador do SV, de pé com bengala, retrato publicado na revista Time em 1930
Max von Stephanitz na revista Time, 9 de junho de 1930. Presidiu ao SV de 1899 a 1935 e morreu a 22 de abril de 1936, no 37.º aniversário do clube.Domínio público.
Do documento · o primeiro standard, 1899«A pleasing appearance is desirable, but it cannot put the dog's working ability into question.»«Uma boa aparência é desejável, mas não pode pôr em causa a capacidade de trabalho do cão.»Primeiro standard do SV, citado na edição inglesa do livro de Stephanitz (trad. Schwabacher, 1994, p. 12).
Horand von Grafrath, antes Hektor Linksrhein, de pé e de perfil, cerca de 1899
Horand noutra fotografia, com o nome antigo na legenda: Hektor Linksrhein.Domínio público.
Retrato de Max von Stephanitz sentado, com um pastor alemão ao lado
Stephanitz, antes de 1930.Domínio público.
Túmulo de Max von Stephanitz no cemitério Trinitatis, em Dresden
O túmulo, no cemitério Trinitatis de Dresden.Paulae, 2012, CC BY-SA 3.0.

O clube cresce depressa

Os números vêm da crónica oficial do SV.

575sócios em 1903, o ano do primeiro regulamento de provas e das primeiras provas de trabalho
2 667sócios em 1909, com o serviço do livro de origens já organizado
35 000sócios em 1921, quando a sede passa para Augsburg, onde ainda está
1922o SV introduz a Körung, um procedimento de avaliação e seleção para criação

Outras datas da crónica: 1902, primeira SV-Zeitung, o jornal do clube, mensal desde então; 1912, registo dos cães de utilidade; 1920, primeiras secções regionais e inspetores de criação.

Diagrama das partes do corpo do pastor alemão, numerado, do livro de Stephanitz de 1901
O diagrama das proporções, no livro de 1901.Domínio público.
031901–1921

O livro que fixou a raça

Em 1901 Stephanitz publicou Der deutsche Schäferhund in Wort und Bild, o pastor alemão em palavra e imagem. Durante décadas foi a bíblia da raça: a 6.ª edição, de 1921, tem perto de oitocentas páginas e centenas de fotografias. Ambas estão digitalizadas e podem ser lidas por qualquer pessoa.

Logo na primeira edição a raça tinha três variedades de pelo: o curto (stockhaarig), o áspero (rauh- oder drahthaarig) e o desgrenhado (zotthaarig). Entre as cores descritas estava a «lobeira», Wolfsfärbung. Stephanitz rejeitou como improvável a ideia, já então em circulação, de que estes cães tivessem sangue de lobo.

«Lediglich nach der Behaarung werden nachstehende drei Arten deutscher Schäferhunde unterschieden.»«Apenas pelo pelo se distinguem as três seguintes variedades de pastor alemão.» Stephanitz, 1901, p. 12.

A edição de 1921 descreve o declínio do pelo áspero e dos cães de pelo desgrenhado do sul. É neste contexto que aparece a expressão «o chamado Altdeutscher». O autor também descreve cães de trabalho de pelo comprido e liso. Convém distinguir estas pelagens: o uso antigo da palavra não demonstra, por si só, uma linha genealógica contínua até aos cães atuais. O nome e a criação independente têm capítulo próprio.

O que o livro de 1901 já dizia do pelo comprido

O pelo comprido está no primeiro livro da raça, com fotografia e nome. A Manda von Geussnitz, «langstockhaariger deutscher Schäferhund», foi criada por um pastor, Ehnert, de Röden, e pertencia a outro, Weber, de Geussnitz, que anuncia no mesmo livro a sua «criação de longa data de bons cães de pastor de trabalho». O Greif, também de pelo comprido, azul-ruão, era de um mestre-pastor de Vatterode e ganhou o 2.º prémio na prova de pastoreio de Halle, em 1901. Eram cães de trabalho, e o livro trata-os como tal.

Mas é também aí, na página 15, que está o primeiro texto contra ele. Stephanitz admite que o pelo comprido «não é raro entre os cães de trabalho de algumas regiões» e recomenda que se vá reconduzindo, «por acasalamento adequado», à forma base de pelo curto. Dá dois motivos: o pelo mais comprido vem muitas vezes com pouco subpelo e é mais macio, por isso não protege melhor do tempo; e torna fácil «introduzir às escondidas cruzamentos com Spitz e Collies defeituosos». O texto documenta uma preferência de seleção já em 1901. Por si só, não estabelece a data nem o regulamento de uma posterior exclusão da criação.

Página 15 do livro de Stephanitz de 1901: o parágrafo que recomenda reconduzir os cães de pelo comprido à forma base de pelo curto
A página 15 do livro de 1901, no exemplar da Bayerische Staatsbibliothek: o parágrafo sobre os cães de pelo comprido, langstockhaarig.Domínio público.
Manda von Geussnitz, pastora alemã de pelo comprido, fotografia do livro de Stephanitz de 1901
Pelo compridoManda von Geussnitz, filha de Luchs von Pölzig e de Manda von Röden. Criada por um pastor, de outro pastor. Livro de 1901, p. 13; a mesma fotografia é a fig. 104 da edição de 1923.Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.
Greif, pastor alemão de pelo comprido azul-ruão, segundo prémio na prova de pastoreio de Halle em 1901, fotografia do livro de Stephanitz de 1901
Pelo comprido, a trabalharGreif, azul-ruão (Blauschimmel), filho de Waldmann e de Waldine. De L. Reich, mestre-pastor em Vatterode. 2.º prémio na prova de pastoreio de Halle, 1901. Livro de 1901, p. 46.Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.
Greif III, pastor alemão de pelo desgrenhado branco, fotografia do livro de Stephanitz de 1901
Pelo desgrenhado, brancoGreif III, filho de Greif II e de Schöna. Criado e pertencente a Frömmling, mestre-pastor em Lucklum, Brunsvique. Livro de 1901, p. 15.Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.
Do documento · livro de 1901, p. 15«… dürfte sich empfehlen auch diese langstockhaarigen Hunde ebenso wie die zu kurzhaarigen durch sachgemässe Paarung auf die Grundform — Stockhaar — heranzuzüchten; dies erscheint um so angezeigter als bei diesen sehr lang behaarten stockhaarigen deutschen Schäferhunden eine Unterschiebung von Spitzkreuzungen und fehlerhaften Collies leicht zu ermöglichen ist.»«… recomenda-se que também estes cães de pelo comprido, tal como os de pelo demasiado curto, sejam reconduzidos à forma base, o pelo curto, por acasalamento adequado; tanto mais que nestes pastores alemães de pelo muito comprido é fácil introduzir às escondidas cruzamentos com Spitz e Collies defeituosos.»M. v. Stephanitz, Der deutsche Schäferhund in Wort und Bild, 1901, p. 15.

O standard de 1899, tal como foi impresso em 1901

O livro reproduz os sinais da raça aprovados em Frankfurt, com as notas do autor. Pedia um cão «um pouco acima do tamanho médio»: 55 a 60 cm os machos, 50 a 55 as fêmeas. Stephanitz acrescenta que 63, «no máximo 65 cm», era o limite extremo, porque um cão maior carrega de mais o seu próprio peso para trabalhar horas seguidas ao calor. O Horand, com 61 a 62, já estava acima da média. Nas cores, o standard admitia o preto, os cinzentos, o amarelo-avermelhado e o castanho, lisos ou com marcas; o branco puro; o branco com placas escuras, a que chamava azul-ruão; e a «chamada cor de lobo». Tudo isto mudou: o branco saiu em 1933, e hoje a FCI pede 60 a 65 cm aos machos e 55 a 60 às fêmeas.

55–60cm para os machos em 1899, e 50 a 55 para as fêmeas
65cm, «no máximo», o limite extremo segundo Stephanitz em 1901
60–65cm para os machos no standard FCI de 2010, e 55 a 60 para as fêmeas
1933o ano em que o branco, admitido em 1899, saiu do standard
Parágrafo 9, Cor, do standard do pastor alemão impresso no livro de Stephanitz de 1901, que admite o branco puro e a cor de lobo
§ 9, Cor, no standard impresso em 1901. «Ferner rein weiss»: também o branco puro. E a «sogen. Wolfsfarbe», a chamada cor de lobo.Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.
Parágrafo 10, Pelo, do standard do pastor alemão impresso no livro de Stephanitz de 1901, com as três variedades de pelo
§ 10, Pelo: as três variedades, de pelo curto, áspero e desgrenhado.Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.
Do documento · livro de 1901, p. 12, nota ao § 9«Im übrigen gilt für den Züchter, dass ein guter Hund keine schlechte Farbe haben kann, der Liebhaber mag sich die Färbung nach seinem besonderen Geschmack aussuchen. Der Glaube, dass die Färbung des Hundes von Einfluss auf seine Gebrauchstüchtigkeit oder seine Charaktereigenschaften, ist natürlich nichts als ein Aberglaube.»«De resto, vale para o criador que um bom cão não pode ter uma cor má; o amador que escolha a cor segundo o seu gosto. A crença de que a cor do cão influencia a sua aptidão para o trabalho ou o seu carácter não passa, naturalmente, de uma superstição.»M. v. Stephanitz, 1901, p. 12.
Frigga von Scharenstetten, pastora alemã Siegerin de 1913, de pé e de perfil
Frigga von Scharenstetten, Siegerin de 1913. Uma referência premiada da raça antes da Grande Guerra, aqui apresentada de perfil. Livro de 1921.Internet Archive Book Images. Sem restrições conhecidas.

O que a fotografia de 1913 mostra

A fotografia de Frigga permite observar um exemplar premiado em 1913. Comparações com cães atuais exigem cuidado com a pose, o ângulo da fotografia e a pelagem. Para discutir construção e função, importa observar também o movimento e os critérios do standard, retomados no capítulo 9.

O título de Sieger, o vencedor do ano entre os machos, e de Siegerin, entre as fêmeas, existe desde 1899. As provas de pastoreio têm resultados registados desde 1901.

041914–1929

A Grande Guerra e os primeiros cães-guia

A guerra fez do pastor alemão um cão de serviço e, sem o querer, um cão conhecido no mundo inteiro.

Segundo o SV, mais de 20 000 pastores alemães serviram na Primeira Guerra Mundial como mensageiros, sentinelas e cães sanitários, que procuravam feridos no campo de batalha. Os soldados aliados que os viram, ou que os apanharam, levaram a raça para casa.

Antes da guerra: o que o clube já tinha em 1901

Nada disto começou em 1914. O livro de 1901 diz que a terceira tarefa do SV era introduzir o pastor alemão como cão de guerra e cão sanitário, e já contava resultados: o Blitz, do batalhão de caçadores n.º 5, o primeiro da Silésia, em Oels, tinha ganho prémios nas provas de cães de guerra de 1898, 1899 e 1900; o batalhão de caçadores bávaro n.º 2, em Aschaffenburg, fazia ensaios; a fortificação prussiana de Thorn comprara dois cachorros para o mesmo fim. Em 1900 o clube filiara-se na Associação Alemã de Cães Sanitários, cujo presidente, o pintor de animais J. Bungartz, treinava Collies em Lechenich e aceitou treinar também pastores alemães. E na Bélgica, acrescenta o mesmo livro, a polícia já os usava.

Pastor alemão da Cruz Vermelha, sentado ao lado de dois homens, com arreio de serviço, Primeira Guerra Mundial
Cão da Cruz Vermelha, 1916–1920.Library of Congress, Bain News Service. Domínio público.
Cão sanitário do exército suíço de pé ao lado do seu tratador, em frente a uma tenda, cerca de 1914 a 1918
Cão sanitário do exército suíço com o seu tratador, c. 1914–1918.Arquivo Federal Suíço. Domínio público.
Do documento · Saturday Evening Post, 5 de novembro de 1927«Because of their extraordinary intelligence and fidelity, Germany has chosen her own breed of shepherd dog.»«Pela sua extraordinária inteligência e fidelidade, a Alemanha escolheu a sua própria raça de cão de pastor.» Dorothy Harrison Eustis, no artigo «The Seeing Eye», que Morris Frank leu.The Saturday Evening Post, arquivo da revista.

Oldenburg, 1916: a primeira escola de cães-guia

A guerra deixou milhares de soldados cegos. Em agosto de 1916, em Oldenburg, o Dr. Gerhard Stalling abriu a primeira escola de cães-guia do mundo. O primeiro cão foi entregue nesse ano ao veterano Paul Feyen. Até 1919 tinham sido formados 539 cães. Em 1923 o próprio SV abriu uma escola em Potsdam, com cerca de cem cães e capacidade para formar doze cães-guia por mês.

Vevey, 1928: a Buddy e o The Seeing Eye

Dorothy Harrison Eustis, uma americana que criava pastores alemães na Suíça, visitou Potsdam e escreveu sobre o que viu no Saturday Evening Post de 5 de novembro de 1927. Um jovem cego do Tennessee, Morris Frank, leu o artigo e escreveu-lhe. Em abril de 1928 estava em Vevey a treinar com uma cadela chamada Kiss, que ele rebatizou Buddy. A 11 de junho de 1928 atravessou com ela a West Street, em Nova Iorque, à frente dos jornalistas, e mandou a Eustis um telegrama com uma só palavra: «Success». A 29 de janeiro de 1929 foi criada a The Seeing Eye, a primeira escola de cães-guia dos Estados Unidos, que, no balanço do seu 95.º aniversário, em 2024, referia mais de 18 000 parcerias entre pessoas e cães-guia.

Homem cego de pé com o seu cão-guia pastor alemão da The Seeing Eye, 1941
Um cão-guia da The Seeing Eye em 1941, treze anos depois da Buddy.Conrad Poirier, BAnQ. Domínio público.
051908–1932

A conquista do mundo

Nos anos 20 o pastor alemão tornou-se um dos cães mais famosos do planeta. Dois cães do cinema mudo fizeram quase tudo.

Strongheart, pastor alemão estrela do cinema mudo, de pé num monte de terra, 1924
Strongheart, 1924.Arthur Rice, coleção J. Willis Sayre, Universidade de Washington. Domínio público.

Strongheart, o primeiro

Chamava-se Etzel von Oeringen e nasceu em Breslau a 1 de outubro de 1917, criado por Robert Niedhardt. Treinado como cão de serviço, foi vendido para os Estados Unidos e em outubro de 1920 ficou em terceiro na classe numa exposição do clube americano da raça. A argumentista Jane Murfin e o realizador Laurence Trimble fizeram dele a primeira estrela canina do cinema: The Silent Call estreou a 26 de novembro de 1921 e esteve treze semanas em cartaz em Los Angeles. Seguiram-se Brawn of the North (1922), White Fang (1925) e The Return of Boston Blackie (1927). Morreu a 24 de junho de 1929. Tem uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood desde 1960.

Rin Tin Tin, o maior

A 15 de setembro de 1918, em Flirey, na Lorena, o cabo americano Lee Duncan encontrou uma ninhada de pastores alemães num canil bombardeado. Ficou com dois cachorros e levou um para a Califórnia. Where the North Begins, de 1923, foi o primeiro filme dele para a Warner Bros., e nos sete anos seguintes fez mais de vinte. Em 1925 fez The Clash of the Wolves; a Biblioteca do Congresso incluiu-o em 2004 no National Film Registry, a lista dos filmes a preservar para sempre. Rin Tin Tin morreu a 10 de agosto de 1932. O New York Times deu-lhe obituário.

O efeito nas estatísticas foi imediato. Em 1926 o American Kennel Club registou 21 596 pastores alemães, perto de 30 % de todos os cães de raça registados nos Estados Unidos nesse ano.

Rin Tin Tin, pastor alemão, retrato de estúdio da Warner Bros. em 1929
Rin Tin Tin em 1929.Warner Bros. Domínio público.

The Clash of the Wolves, 1925

O filme inteiro, 68 minutos. Rin Tin Tin no papel de Lobo. Domínio público, cópia do Internet Archive.

Where the North Begins, 1923

O primeiro filme de Rin Tin Tin para a Warner Bros. Domínio público, cópia do Internet Archive.

The Lighthouse by the Sea, 1924

Rin Tin Tin num farol. Filme americano de 1924, hoje em domínio público pela data. Cópia do Internet Archive.

The Adventures of Rex and Rinty, 1935

Capítulo 1 do serial da Mascot, 29 minutos, com Rin Tin Tin Jr. Cópia do Internet Archive; a ficha não indica os direitos.

Do arquivo: a raça em cartaz

Fotografias de imprensa, cartazes e anúncios dos anos 20, todos em domínio público.

Strongheart, retrato de cabeça, 1921
Strongheart na Photoplay, dezembro de 1921.Arthur Rice. Domínio público.
Anúncio de jornal do filme The Silent Call, 1921
Anúncio de The Silent Call, Duluth Herald, 3 de dezembro de 1921. O filme está perdido.Domínio público.
Anúncio do filme White Fang com Strongheart, 1925
White Fang, 1925, Moving Picture World.Domínio público.
Rin Tin Tin a saltar sobre pessoas, fotografia de revista de 1923
Rin Tin Tin a saltar, Screenland, outubro de 1923.Domínio público.
Rin Tin Tin com June Marlowe e Charles Farrell, 1925
Com June Marlowe e Charles Farrell em The Clash of the Wolves. Photoplay, janeiro de 1926.Domínio público.
Rin Tin Tin no filme Hills of Kentucky, 1927
Hills of Kentucky, 1927.Warner Bros. Domínio público.
Rin Tin Tin com um rapaz no filme Jaws of Steel, 1927
Jaws of Steel, Los Angeles Times, 31 de julho de 1927.Domínio público.
Rin Tin Tin no filme Dog of the Regiment, 1927
Dog of the Regiment, 1927.Sam Hood, State Library of New South Wales. Domínio público.
Cartaz do filme Frozen River, com Rin Tin Tin, 1929
Cartaz de Frozen River, 1929.Warner Bros. Domínio público.
Rin Tin Tin em retrato publicitário de 1930
Rin Tin Tin em 1930, já a fazer publicidade a ração.Domínio público.
Fachada de cinema em Paris em 1925 com Rin Tin Tin anunciado como chien loup
Um cinema de Paris em 1925. No cartaz, Rin Tin Tin é um «chien loup», cão-lobo. Em França também se evitava dizer «alemão».Domínio público.

Nomes que mudam com a política

1908

Estados Unidos

Primeiro pastor alemão registado no AKC: «Queen of Switzerland». Em 1913 nasce o clube da raça, com 26 sócios. Em 1917, com a guerra, o AKC retira a palavra «German» e a raça passa a «Shepherd Dog». Só em 1930 o clube volta a chamar-se German Shepherd Dog Club of America.

1919

Reino Unido

O Kennel Club aceita os primeiros 54 registos. Para não dizer «alemão», o cão passa a «Alsatian Wolf Dog», depois só «Alsatian». Em 1926 já havia mais de 8 000 registados. O nome German Shepherd Dog só é reposto em 1977, e «Alsatian» só sai do nome oficial em 2010.

1929

Austrália

O governo federal proíbe a importação de pastores alemães, com medo de cruzamentos com o dingo. A proibição só é levantada em 1972, a título experimental, e em 1973 de vez.

Em português, os dicionários Priberam e Infopédia registam «lobo-da-alsácia» e «lobo-d'alsácia» como sinónimos de pastor-alemão, herança do nome britânico.

061930–1945

Os anos 30 e a Segunda Guerra

No início dos anos 20 o SV tinha, segundo a sua própria página de história, 57 000 sócios. A crise económica fê-los descer. Em 1933 o clube retirou a cor branca do standard. Em 1935 Stephanitz deixou a presidência, e morreu no ano seguinte, no dia do aniversário do clube. Nenhum documento do SV diz porque saiu; fontes secundárias falam em pressão do regime, mas é só isso que podemos escrever.

A crónica do SV regista, na entrada de 1939, que 30 000 pastores alemães foram requisitados durante a Segunda Guerra Mundial para o exército e a frente, e que muitos não voltaram. A fotografia mais conhecida da raça nesse período é a da cadela de Hitler, Blondi, oferecida por Martin Bormann em 1941 e morta no bunker de Berlim a 29 de abril de 1945. É um facto histórico, e fica aqui apenas como facto.

Fila de condutores de cães da polícia alemã, cada um com o seu pastor alemão sentado ao lado, numa demonstração em 1931
Condutores de cães da polícia numa demonstração, maio de 1931.Bundesarchiv, Bild 102-11696. CC BY-SA 3.0 DE.
Do documento · crónica oficial do SV, entrada de 1939«30.000 Deutsche Schäferhunde werden während des 2. Weltkriegs beschlagnahmt und im Heeres- und Frontdienst eingesetzt. Viele davon verlieren ihr Leben.»«30 000 pastores alemães são requisitados durante a Segunda Guerra Mundial e usados no exército e na frente. Muitos perdem a vida.»SV, Chronik 1899–2024.
Soldados da Reichswehr com cães mensageiros pastores alemães, 1930
Cães mensageiros da Reichswehr, novembro de 1930.Bundesarchiv, Bild 102-10771. CC BY-SA 3.0 DE.
Pastor alemão da polícia em treino num campo, Berlim, 1931
Escola de cães da polícia de Grünheide, Berlim, novembro de 1931.Bundesarchiv, Bild 102-12597. CC BY-SA 3.0 DE.

The Use of War Dogs, 1943

Filme de instrução do exército dos Estados Unidos. Obra federal, domínio público.

Polícia: um mito a corrigir

Diz-se muitas vezes que o pastor alemão foi o primeiro cão-polícia. Não foi. Os primeiros cães de serviço noturno da polícia alemã, em Hildesheim, em 1896, eram dogues. O pastor alemão chegou depois: em 1912 o SV abriu um registo de cães de utilidade, e nos anos 20 já havia canis com o afixo «von der Kriminalpolizei».

071946–1954

Recomeço nas ruínas

O SV aprovou novos estatutos em fevereiro de 1946 e foi registado em Augsburg a 15 de abril. A crónica de 1948 diz que mais de 80 % dos campos de treino tinham sido devastados e que quase não havia material.

As primeiras exposições do pós-guerra fizeram-se por zonas de ocupação: Hamburgo e Munique em 1946, Hamburgo e Estugarda em 1947. De 1946 a 1954 o SV não atribuiu o título de Sieger; havia apenas uma seleção de «Excelente», a V-Auslese. O primeiro Sieger do pós-guerra foi Alf von Nordfelsen, em 1955. Em 1958 o clube tinha outra vez 40 450 sócios.

Do documento · crónica oficial do SV, entrada de 1948«Der SV nimmt seine Arbeit wieder auf. Über 80% aller Übungsplätze wurden im Krieg verwüstet. Ausbildungsgeräte sind kaum mehr vorhanden.»«O SV retoma o trabalho. Mais de 80 % dos campos de treino foram devastados na guerra. Quase não há material de treino.»SV, Chronik 1899–2024.
Fila de polícias com pastores alemães na escola de cães de Berlim-Tegel, 1946
Escola de cães da polícia em Berlim-Tegel, 1946.Bundesarchiv, Bild 183-2005-0820-525, E. O. Krueger. CC BY-SA 3.0 DE.
Exposição canina em Berlim em 1947, com público à volta do ringue
Exposição canina em Berlim, agosto de 1947, ainda antes da divisão.Bundesarchiv, Bild 183-S76555, Heinscher. CC BY-SA 3.0 DE.

Darmstadt, dezembro de 1948

Pastores alemães em treino de sentinela com o exército dos Estados Unidos, na Alemanha ocupada. Filme sem som. Domínio público.

A exposição de hoje

A Bundessiegerzuchtschau, com cerca de 1 500 cães, numa reportagem da BR24, a televisão pública da Baviera.

081949–1990

Duas Alemanhas, percursos distintos

A divisão política da Alemanha também separou organizações e orientações de criação. A história dos cães da RDA merece ser conhecida com a mesma atenção às fontes que qualquer outro capítulo da raça.

Depois da fundação da RDA, em 1949, a criação a leste ficou separada do SV ocidental, numa secção própria de cães de serviço e de utilidade. Em 1955 os cães de serviço passaram para a GST, uma organização paramilitar fundada em 1952, e mais tarde para a SDG, que em 1974 tinha cerca de 23 000 membros. Segundo Werner Dalm, o principal responsável pela criação na RDA, a maioria dos pastores alemães era criada por sócios e particulares. As tropas de fronteira tinham canis próprios.

Dois polícias de fronteira da RDA num campo lavrado, com um pastor alemão de rasto a seguir uma pista, 1956
Polícia de fronteira da RDA com cão de rasto, novembro de 1956.Bundesarchiv, Bild 183-42998-0006. CC BY-SA 3.0 DE.
Pastor de capa com o seu pastor alemão e o rebanho de ovelhas, perto de Schwerin, 1986
O pastoreio nunca parou: pastor com o seu cão perto de Schwerin, 31 de julho de 1986.Bundesarchiv, Bild 183-1986-0731-025, W. Paetzold. CC BY-SA 3.0 DE.
Certificado da exposição Sieger de Leipzig, RDA, 29 de junho de 1952
Certificado da exposição Sieger de Leipzig, 29 de junho de 1952. A RDA tinha as suas próprias exposições.Wikimedia Commons. Domínio público.
Guardas de fronteira federais e alfândega com pastor alemão junto à fronteira interalemã, 1980
Do lado de cá: guarda de fronteira federal e alfândega junto à fronteira, 25 de junho de 1980.Willy Pragher, Landesarchiv Baden-Württemberg. CC0.
Treino de cães de deteção de droga da alfândega da RDA em Sacrow, fevereiro de 1990
Treino de cães de deteção de droga em Sacrow, 23 de fevereiro de 1990, três meses depois do Muro.Bundesarchiv, Bild 183-1990-0223-300, P. Zimmermann. CC BY-SA 3.0 DE.
Do documento · página de história do SV«On April 20th, 1990, the complete SV membership of the GDR joined the federal German SV.»«A 20 de abril de 1990, todos os membros do SV da RDA aderiram ao SV federal.»schaeferhunde.de, história do clube.

A seleção e a saúde na RDA

Werner Dalm descreveu a seleção contra a displasia da anca na antiga RDA num texto publicado pelo SV em 1998. O relato apresenta um endurecimento progressivo dos critérios de reprodução entre 1968 e 1979 e refere 94,4 % de cães livres de displasia em 1985. Este valor deve ser lido no contexto do programa e dos cães a que o relato se refere: não demonstra que todas as linhas orientais fossem isentas de doença, nem permite uma comparação direta com populações atuais.

Os cães da fronteira

Os Trassenhunde estavam presos a um cabo de aço e cada um guardava um troço de 100 a 200 metros da fronteira interalemã. Até aos anos 80 havia cerca de 3 000 cães treinados contra pessoas ao longo dos 1 376 km de fronteira. Em Berlim, em 1989, as tropas de fronteira tinham 992 cães.

Pastor alemão com arreio da alfândega sentado junto a uma vedação na fronteira interalemã, 1984
Cão de guarda na fronteira interalemã, 15 de agosto de 1984.SPC5 Vincent Kitts, US Army. Domínio público.
Erra v. d. Fenne, pastora alemã importada da RDA, de pé e de perfil, 1976
Erra v. d. Fenne, importada da RDA, nascida em 1976. De uma página de revista alemã sobre os pastores alemães na União Soviética. Ver a página.Arquivo Von Silfrohn.

1989–1990: o fim

O Muro caiu a 9 de novembro de 1989. Cerca de 4 000 cães da fronteira ficaram sem função. O Spiegel de 1990 titulava que a RDA queria livrar-se de 2 500 cães desmobilizados. O que aconteceu, segundo as fontes: cerca de 1 500 encontraram casa na RDA e 2 500 foram colocados na RFA pela federação alemã de proteção dos animais. Não há fonte para abates em massa.

A 20 de abril de 1990, todos os membros do SV da RDA aderiram ao SV federal. Nesse ano o clube chegou aos cerca de 110 000 sócios, o máximo de sempre. Depois da reunificação, a designação «linha DDR» passou a exigir uma leitura cuidadosa do pedigree: é preciso esclarecer quais os antepassados orientais identificados e em quantas gerações.

Existem clubes, como a UCFAS, que referem ascendência da RDA em algumas linhas Altdeutsche. Isso não permite atribuí-la a todos os cães de pelo comprido. A origem oriental de um exemplar demonstra-se pelos antepassados identificados no pedigree, não pelo comprimento do pelo, pela cor ou pelo nome da linhagem.

091955–2024

O cão de exposição

A lista oficial de vencedores da Bundessiegerzuchtschau conta, cão a cão, como a raça mudou na Alemanha Ocidental.

Alguns nomes marcaram décadas. Canto von Arminius, Sieger de 1978. Uran vom Wildsteiger Land, Sieger em 1984 e 1985. Fanto vom Hirschel, em 1990 e 1991. Zamb von der Wienerau, em 1992. Entre as fêmeas, as Wienerau: Landa em 1965, Vanta em 1992 e 1994, Nathalie em 1995. Em 1974 e 1977 voltou a não haver Sieger. Desde 2011 há dois Sieger por ano, um de pelo curto e um de pelo comprido.

  • 1955Alf v. Nordfelsen, o primeiro Sieger do pós-guerra
  • 1959–60Volker v. Zollgrenzschutzhaus
  • 1964Zibu v. Haus Schütting
  • 1969–70Heiko v. Oranien Nassau
  • 1972Marko v. Cellerland
  • 1978Canto v. Arminius
  • 1984–85Uran v. Wildsteiger Land
  • 1986–87Quando v. Arminius
  • 1990–91Fanto v. Hirschel
  • 1992Zamb v. d. Wienerau
  • 1998–99Rikkor v. Bad-Boll
  • 2001–02Yasko v. Farbenspiel
  • 2004–05Larus v. Batu
  • 2008–09Vegas du Haut Mansard
  • 2011–12Remo v. Fichtenschlag (pelo curto)
  • 2012Orion Mavic Poland (pelo comprido)

O que os genomas contam

Um estudo de Scarsbrook e colegas, publicado na PNAS em 2025 e divulgado pela LMU em janeiro de 2026, analisou nove genomas históricos de cães que viveram entre 1906 e 1993. Identificou perda de diversidade na formação da raça e novos estrangulamentos após a Segunda Guerra Mundial, associados à redução da população e ao uso intensivo de reprodutores populares. Um desses episódios foi datado de 1967, coincidindo com o nascimento de Quanto von der Wienerau. A coincidência não transforma um único cão na explicação de toda a diversidade perdida.

O que acrescenta à criação

Preservar diversidade também é preservar o futuro

Os investigadores propõem considerar cães de países ou linhas que não tenham passado pelos mesmos estrangulamentos. O estudo reforça a importância de conhecer o parentesco e de evitar a dependência de poucos reprodutores. Não demonstra, por si só, que todos os Altdeutsche sejam mais diversos ou mais saudáveis: essa comparação exige dados das populações em causa.

LMU, apresentação do estudo de Scarsbrook e colegas, 29 de janeiro de 2026.

A polémica do dorso

A 19 de agosto de 2008 a BBC One emitiu Pedigree Dogs Exposed, com um segmento sobre o pastor alemão de exposição. Em 2016, depois da Crufts, o Kennel Club britânico alterou o standard com efeito a 1 de agosto: o cão tem de ficar de pé, livre e sem ajuda. Em 2024, a agência dpa citava uma veterinária da Vier Pfoten sobre a linha de cima «fortemente descendente» criada em alguns cães de exposição.

Do documento · standard FCI 166, 2010«Das Deckhaar soll lang, weich und nicht fest anliegend sein, mit Fahnen an Ohren und Läufen.»«O pelo de cobertura deve ser comprido, macio e não colado ao corpo, com franjas nas orelhas e nos membros.» A descrição do pelo comprido admitido.FCI, standard n.º 166, 11.08.2010.

O standard FCI n.º 166 pede um dorso reto, firme e musculado e afirma que a angulação excessiva dos posteriores reduz a estabilidade, a resistência e a aptidão para o trabalho. «Reto» não significa que toda a linha superior tenha de ser horizontal: o texto também descreve cernelha elevada e garupa ligeiramente inclinada. A função deve orientar a avaliação.

Standard FCI 166, 2010«geraden Rücken»

Dorso reto, firme e musculado. A descrição deve ser lida juntamente com as indicações sobre cernelha, garupa e movimento.

Kennel Club, 2016«stand freely and unsupported»

O cão deve manter-se de pé por si, sem ser segurado pelo apresentador. Introduzido depois da Crufts de 2016.

101966–hoje

Saúde: o que o SV mudou

O SV iniciou o seu programa radiográfico da anca em 1966. A história do rastreio mostra a importância de avaliar os reprodutores e de acompanhar resultados ao longo do tempo. Os números abaixo têm uma data e uma população de referência.

1966o SV começa o rastreio radiográfico da displasia da anca
27 % → 2 %displasia média e grave no programa do SV, segundo a brochura datada de abril de 2013
>350 000mais de 350 mil cães radiografados desde 1966, segundo o balanço publicado pelo SV em 2013
10,3anos de longevidade mediana na amostra britânica do estudo publicado em 2017, com dados clínicos de 2013
  1. 1966

    Início do procedimento HD. A marca «a» antes do nome do cão, sinal de anca aprovada, é uma criação do SV ocidental.

  2. 1998

    Introdução do valor de criação para a anca, o Zuchtwert, que estima o risco genético de cada cão a partir dos parentes.

  3. 2002

    A crónica do SV assinala a introdução do procedimento de rastreio do cotovelo, ED.

  4. 2014

    O jornal do SV aborda o teste associado à mielopatia degenerativa, no gene SOD1. É necessário distinguir o portador de uma cópia da variante do cão com duas cópias, que apresenta maior risco. Segundo a UC Davis, nem todos os cães com duas cópias desenvolvem a doença: o resultado genético não equivale a um diagnóstico clínico.

  5. 2025

    O documento da Körung de 2025 exige, entre outros requisitos, resultados HD e ED classificados como normal, fast normal ou noch zugelassen, além de requisitos de avaliação comportamental, desempenho, resistência e classificação morfológica. Não limita, portanto, a admissão às duas primeiras categorias.

O estudo de O’Neill e colegas, publicado em 2017, analisou registos de pastores alemães sob cuidados veterinários no Reino Unido em 2013. A longevidade mediana de 10,3 anos descreve essa amostra. Não prevê a duração de vida de cada cão nem compara diretamente pastores de linhagem antiga com outras linhas. Também os 27 % e 2 % da brochura do SV se referem ao seu programa de rastreio, não à prevalência mundial da doença.

11Hoje

O cão de trabalho

Criar pastores alemães é criar cães de trabalho, dizia o SV. Um século depois, a raça continua nas polícias, nos exércitos, nas equipas de busca e nas escolas de cães-guia, mas já não sozinha.

Pastor alemão de busca e salvamento sobre os escombros do Ground Zero, com um bombeiro atrás, Nova Iorque, setembro de 2001
Busca e salvamento no Ground Zero, Nova Iorque, 24 de setembro de 2001. Cerca de 300 cães trabalharam ali.Andrea Booher, FEMA. Domínio público.

11 de setembro de 2001

Appollo, pastor alemão da polícia de Nova Iorque, esteve entre os primeiros cães de busca a chegar ao Ground Zero, segundo a PDSA. A 5 de março de 2002 recebeu a Medalha Dickin, a mais alta condecoração britânica para animais, em nome de todos os cães de busca que trabalharam no World Trade Center e no Pentágono. Trakr, pastor alemão da polícia de Halifax, no Canadá, encontrou na manhã de 12 de setembro a última sobrevivente retirada com vida dos escombros.

Provas de trabalho

A prova que Stephanitz criou para medir o cão de utilidade chamou-se durante um século Schutzhund. Passou a IPO e, por decisão da FCI, a IGP a 1 de janeiro de 2019. O SV fundou em 1974 a WUSV, a união mundial dos clubes da raça, com 99 clubes em 91 países segundo a crónica do SV publicada em 2024.

Pastor alemão de busca sobre escombros e vigas no Ground Zero, 21 de setembro de 2001
Ground Zero, 21 de setembro de 2001.Andrea Booher, FEMA. Domínio público.
Equipa de busca francesa com pastor alemão nos escombros do Ground Zero, 24 de setembro de 2001
Equipa de busca francesa, 24 de setembro de 2001.Andrea Booher, FEMA. Domínio público.
Polícia ferroviário com o seu pastor alemão a caminhar junto à linha, Kiel, 1972
Polícia ferroviária em ronda, Kiel, agosto de 1972.Friedrich Magnussen, Stadtarchiv Kiel. CC BY-SA 3.0 DE.
Pastor alemão da polícia a morder a manga de proteção num treino, 2008
Treino de um cão da polícia alemã, 2008.Wikimedia Commons. CC BY-SA 3.0.
Militar alemã com o seu pastor alemão em Camp Marmal, Afeganistão, 2009
Bundeswehr em Camp Marmal, Afeganistão, 2009.Domínio público.
Pastor alemão da polícia numa manifestação em Frankfurt, 2013
Polícia em Frankfurt, 2013.Wikimedia Commons. CC BY 2.0.
153

Polícia federal alemã

Em 2020 a Bundespolizei tinha 422 cães: 209 malinois e 153 pastores alemães. É a mudança mais visível das últimas décadas: o pastor belga ganhou terreno no trabalho policial e militar, na Alemanha como em Portugal.

1 295

Portugal

Cão de Pastor Alemão: 1 295 registos no Clube Português de Canicultura em 2024, a raça mais registada do país, à frente do labrador e do golden. Em 2017 tinham sido 1 754.

3

Cães-guia

Na Guide Dogs britânica, o pastor alemão continua a ser, com o labrador e o golden retriever, uma das três raças puras mais usadas. A The Seeing Eye, nos Estados Unidos, referia em 2024 mais de 18 000 parcerias entre pessoas e cães-guia, envolvendo diferentes raças.

Pastor alemão do exército alemão a morder a manga de proteção de um figurante numa demonstração, com o condutor atrás, 2001
Demonstração do exército alemão, 16 de outubro de 2001.SSgt Cherie A. Thurlby, USAF. Domínio público.

Três cães, três guerras

Chips, um cruzamento de pastor alemão com husky, atacou sozinho um ninho de metralhadora na Sicília a 10 de julho de 1943 e salvou o pelotão. Recebeu a Medalha Dickin a título póstumo em 2018. Nemo A534, pastor alemão da força aérea americana, protegeu o seu tratador ferido no ataque a Tan Son Nhut, no Vietname, a 4 de dezembro de 1966, e foi um dos primeiros cães militares a regressar aos Estados Unidos. Numa publicação da Bundeswehr de 2021, a escola de cães de Ulmen indicava que cerca de 95 % dos seus cães são pastores belgas.

Página do livro de Stephanitz de 1921 com Russ von der Krone, legendado como «sogenannter Altdeutscher»
Figura 78 do livro de 1921: «Zotthaariger deutscher Schäferhund, sogenannter Altdeutscher, Süddeutschland.»Sem restrições conhecidas.
121901–2024

Ganha o seu nome: o Altdeutscher

A história do pastor alemão de linhagem antiga insere-se nesta história maior. Os livros documentam cães de pelo comprido no início da raça; as decisões posteriores dos clubes determinaram quais podiam ser usados na criação. É nessa passagem, entre a ascendência dos cães e as regras de seleção, que se entende o percurso do Altdeutscher.

A palavra Altdeutscher tem uso histórico. Na edição de 1921, Stephanitz descreve cães de pastor de pelo desgrenhado do sul da Alemanha e identifica Russ von der Krone como «o chamado Altdeutscher». A tradução inglesa de 1923 explica o uso desse nome pelos pastores. Hoje, clubes independentes usam Altdeutscher Schäferhund para cães selecionados de pelo comprido com subpelo. A antiguidade do nome está documentada; uma descendência direta de Russ ou de um determinado tipo regional tem de ser demonstrada por genealogia.

Enquanto os cães de pelo comprido estavam excluídos da reprodução no SV, a continuidade da sua criação deliberada dependia de programas fora desse clube. O DASV descreve expressamente uma seleção de pelo comprido com subpelo mantida durante gerações. O clube apresenta 1997 como ano de fundação; esta data documenta a sua existência, sem provar que tenha sido o primeiro. Quanto ao início da exclusão, é necessário comparar as diferentes versões do standard e os regulamentos: uma referência a 1930 e outra a 1991 podem tratar de pelagens ou decisões distintas. Não devem ser fundidas numa data única sem o documento correspondente.

Do documento · crónica oficial do SV, entrada de 2008«Die Zucht im SV findet nunmehr in zwei Varietäten statt: Stockhaar und Langstockhaar mit Unterwolle.»«A criação no SV passa a fazer-se em duas variedades: pelo curto e pelo comprido com subpelo.»SV, Chronik 1899–2024.

O regresso tem três marcos distintos. A crónica do SV situa a decisão em 2008. A FCI aprovou o standard revisto em agosto de 2010. A circular FCI 111/2010, de 23 de dezembro, determinou a aplicação a partir de 1 de janeiro de 2011, com duas variedades, cada uma elegível para o seu CACIB, e sem cruzamentos entre ambas nesse regime. Decisão, aprovação e entrada em aplicação são momentos diferentes.

Russ von der Krone, pastor alemão de pelo desgrenhado, fotografia do livro de Stephanitz de 1901, a mesma que em 1921 é legendada «sogenannter Altdeutscher»
O mesmo cão, vinte anos antes. A fotografia da figura 78 já estava no livro de 1901, p. 14, com outra legenda: «Russ v. d. Krone, zotthaariger deutscher Schäferhund. Abstammung unbekannt.» Pelo desgrenhado, ascendência desconhecida, de A. Eiselen, Heidenheim. Em 1921 passou a ser «o chamado Altdeutscher».Bayerische Staatsbibliothek. Domínio público.

De onde vem o nome

Stephanitz recolheu a palavra entre os pastores do sul da Alemanha. O testemunho documenta o vocabulário da época; não substitui o pedigree dos cães que hoje recebem o mesmo nome.

Do documento · Stephanitz, ed. inglesa de 1923, pp. 98–99«There are the so-called Old-German shepherd dogs, who, in their exterior, are a smaller edition of the large shaggy haired herdsman's dog. (…) The shepherds there call them 'sheep dogs' or 'Old-German dogs' to distinguish them from the smooth haired shepherd dog or wolf-dog, as they call the wolf-coloured kind.»«Há os chamados cães de pastor altdeutsch, que no aspeto são uma edição mais pequena do grande cão de gado de pelo desgrenhado. (…) Os pastores de lá chamam-lhes "cães de ovelhas" ou "cães altdeutsch", para os distinguir do cão de pastor de pelo curto, ou cão-lobo, como chamam aos de cor lobeira.»M. v. Stephanitz, The German Shepherd Dog in Word and Picture, 1923, pp. 98–99.

Fora do SV, o pelo comprido teve quem continuasse a criá-lo.

Enquanto o clube excluía estes cães da reprodução, criadores independentes mantiveram a sua seleção ao longo de gerações. Esse trabalho faz parte da história e merece ser reconhecido.
A genética ajuda a compreender

Como nasce pelo comprido de pais de pelo curto?

O Laboratório de Genética Veterinária da Universidade da Califórnia, Davis descreve variantes recessivas do gene FGF5 associadas ao pelo comprido. Um cão de pelo curto pode ser portador. No cruzamento entre dois portadores, a probabilidade esperada de um cachorro de pelo comprido é de 25 %; não é uma proporção garantida em cada ninhada.

Este mecanismo explica como a variante podia persistir em cães de pelo curto, mesmo quando os de pelo comprido eram excluídos da reprodução. Por isso, convém distinguir duas continuidades: a transmissão genética dentro da população e a seleção deliberada de reprodutores de pelo comprido fora do SV. Reconhecer a primeira não retira mérito aos criadores que asseguraram a segunda. O pelo comprido, por si só, também não demonstra um cruzamento recente com outra raça.

O que Stephanitz escreveu sobre o pelo comprido em 1921

Na edição de 1921, seguida pela tradução inglesa de 1923, Stephanitz mantém reservas sobre os cães de trabalho de pelo comprido e liso que descreve no norte: associa-os a pelo macio e a subpelo pouco desenvolvido. É o juízo do autor sobre os cães que observava, não uma avaliação de todos os exemplares atuais. A distinção continua relevante: a variedade admitida no standard revisto é Langstockhaar mit Unterwolle, pelo comprido com subpelo.

Do documento · Stephanitz, ed. inglesa de 1923, pp. 123–124«In the North, but never in Southern Germany, one can frequently see working dogs with fairly long smooth haired coats, the under wool of which is generally not well grown. This long smooth hair is sleek, does not curl and forms neither whiskers nor mane; but it never has the hardness of good smooth hair, and is therefore not considered so suitable for the service.»«No Norte, mas nunca no sul da Alemanha, veem-se com frequência cães de trabalho com pelo liso bastante comprido, cujo subpelo em geral não está bem desenvolvido. Este pelo comprido e liso é macio, não encaracola e não forma barba nem juba; mas nunca tem a dureza do bom pelo curto, e por isso não é considerado tão adequado para o serviço.»M. v. Stephanitz, The German Shepherd Dog in Word and Picture, 1923, pp. 123–124.
AdmitidoLangstockhaar

Pelo de cobertura comprido e macio, franjas nas orelhas e nas patas, e subpelo. É a variedade criada na Von Silfrohn.

DesqualificaLanghaar

Pelo comprido sem subpelo, que costuma abrir-se ao meio do dorso.

Um pastor alemão de linhagem antiga Von Silfrohn, cinzento, de pé e de perfil no campo, com a linha do dorso traçada sobre a fotografia
Um dos cães Von Silfrohn, de pé, no terreno. A linha âmbar segue o dorso, da cernelha à garupa; a tracejada é a horizontal a partir da cernelha. Quase se sobrepõem.
Pastor alemão de pelo comprido apresentado de perfil em pose de exposição, com a linha do dorso traçada sobre a fotografia
O pelo comprido de exposição, hoje. Exemplar apresentado em pose de ringue, com as mesmas duas linhas: o dorso desce da cernelha à garupa. A pose e o ângulo da fotografia influenciam a silhueta; uma imagem não avalia saúde nem função.Canarian, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
Aika, pastora alemã de linhagem antiga, retrato de frente
Aika.Elbratzo, Wikimedia Commons, CC BY 3.0 DE.
Pastor alemão de pelo comprido com subpelo, de pé numa praia
Langstockhaar com as franjas nas orelhas e nas patas.Primrose2017, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Jovens machos de pelo comprido, 2023

A classe própria do pelo comprido na Bundessiegerzuchtschau. Vídeo de um criador.

Jovens fêmeas de pelo comprido, 2021

Bundessiegerzuchtschau 2021. Vídeo de um particular.

Jovens machos de pelo comprido, 2022

Bundessiegerzuchtschau de Nuremberga. Vídeo de um criador.

Fora do SV: uma exposição de linhagem antiga, 2010

Pfungstadt, 2 de maio de 2010, numa exposição de um clube de pastores alemães de linhagem antiga. Vídeo de uma particular.

Pico, pastor alemão de linhagem antiga, deitado na relva com uma bola
Pico, 2009.Ra Boe, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.
Dois pastores alemães de linhagem antiga, um preto e fogo e um preto, deitados na relva
Preto e fogo, e preto.Lorenzenastrid, Wikimedia Commons, CC BY 3.0.
Dois pastores alemães de linhagem antiga Von Silfrohn deitados na erva seca
Dois dos cães Von Silfrohn.

No sistema FCI, o pastor alemão de pelo comprido com subpelo é uma variedade do standard 166. Os clubes independentes podem adotar critérios próprios. Compará-los exige ler os respetivos textos e observar os cães, em vez de deduzir as regras a partir de uma fotografia.

Uma história comum, sistemas de criação diferentes

No sistema FCI, a designação é pastor alemão de pelo comprido com subpelo. Em clubes independentes encontra-se Altdeutscher Schäferhund; na Von Silfrohn usamos pastor alemão de linhagem antiga. Estes nomes partilham uma história, mas não tornam todos os programas de criação equivalentes. Podem diferir os critérios de seleção, os livros de origens e as condições de admissão. A genealogia de cada cão deve ser lida nos seus documentos.

A nossa escolha

Porque não fazemos parte da FCI

Na Von Silfrohn, a escolha é criar e registar os nossos cães no sistema independente que identifica a linhagem como Altdeutscher Schäferhund. Esta é a nossa opção. Para a compreender, vale a pena distinguir o nome da linhagem, a ascendência documentada e o reconhecimento de cada registo.

O nome e o reconhecimento. A FCI reconhece o pastor alemão no standard 166, com duas variedades de pelo; não reconhece o Altdeutscher Schäferhund como raça autónoma. Isso descreve a posição de uma federação. Não apaga os antepassados de um cão, nem torna equivalentes os documentos emitidos por organizações diferentes.

A continuidade da seleção. Os criadores independentes mantiveram programas com reprodutores de pelo comprido quando estes não eram admitidos à criação no SV. O reconhecimento posterior da variedade não apaga esse percurso. As regras concretas de saúde, aptidão e reprodução devem ser consultadas no regulamento de cada clube, sem presumir que sejam iguais em todos.

O registo que escolhemos. Os cães Von Silfrohn estão inscritos no IHR. Nos seus pedigrees aparecem registos do IHR, ARCD, DRC e UCI, bem como antepassados inscritos no SV. São esses documentos, com nomes e números de registo, que permitem examinar a continuidade genealógica. O valor de uma afirmação sobre ascendência está na possibilidade de a verificar, geração após geração.

O pedigree IHR não deve ser apresentado como equivalente a um pedigree reconhecido pelo CPC/FCI. Em Portugal, um eventual acesso ao Registo Inicial depende dos procedimentos e da avaliação previstos pelo CPC; não é uma conversão automática para o LOP. A participação em provas depende igualmente do regulamento da modalidade e do organizador. Quem pretende competir deve confirmar antecipadamente a elegibilidade do seu cão. Explicamos o nosso registo na página do pedigree.

No IHRAltdeutscher Schäferhund

O nome da linhagem no pedigree. Clubes próprios, standard próprio, regras de criação próprias.

Na FCI e no CPCPastor alemão, pelo comprido

Uma variedade do standard 166. O nome da linhagem não existe no registo.

Sete pastores alemães de linhagem antiga Von Silfrohn sentados em fila no campo
Sete dos cães Von Silfrohn.
13Números

A raça em números

O SV apresenta-se como o maior clube dedicado a uma só raça. As séries abaixo mostram uma descida expressiva dos registos ao longo dos períodos comparados, embora com oscilações de ano para ano. São registos de organizações concretas, não uma contagem de todos os cães existentes.

2 Mcães inscritos no livro de origens do SV desde 1899
110 000sócios do SV em 1990; a crónica de 2024 refere cerca de 50 000, em 1 800 secções locais
1.ºposição entre os registos da VDH e do CPC apresentados para 2024; 4.ª no AKC nesse ano
−52 %cachorros de pastor alemão registados na VDH entre 2011 e 2025
AnoCachorros registados na VDH, AlemanhaRegistos no CPC, Portugal
201113 339—
201510 523—
20179 7661 754
202010 003—
20236 2421 413
20246 3161 295
20256 374—

VDH: estatística oficial de cachorros; o pastor alemão é o primeiro em todos os anos. CPC: relatórios e contas de 2017 e 2024 (o valor de 2023 é calculado a partir da variação de −8,35 % indicada no relatório de 2024). No Reino Unido, o Kennel Club registou 4 817 pastores alemães em 2024. Um levantamento de 25 países, com dados sobretudo de 2011, colocava a raça em segundo lugar mundial, atrás do labrador; esse levantamento não permite afirmar a posição mundial atual.

14Cultura

Na cultura

1960

Duas estrelas em Hollywood

Strongheart e Rin Tin Tin receberam ambos uma estrela no Passeio da Fama a 8 de fevereiro de 1960, nos números 1724 e 1627 da Vine Street. A série de televisão The Adventures of Rin Tin Tin passou na ABC de 1954 a 1959.

1976

Dois selos

A Deutsche Post da RDA emitiu a 17 de agosto de 1976 uma série de raças de cães com um pastor alemão de 20 Pfennig, tiragem de sete milhões. A Bundespost fez o mesmo a 8 de junho de 1995, na série de selos da juventude.

1994

Rex, o comissário

Kommissar Rex estreou na Sat.1 a 10 de novembro de 1994, coprodução austro-alemã, e durou dez temporadas e 119 episódios. O primeiro Rex chamava-se Reginald von Ravenhorst. Antes dele, Bullet tinha sido o cão da série de Roy Rogers na NBC, de 1951 a 1957.

15Para não repetir

Afirmações que exigem contexto

Algumas afirmações repetidas sobre a raça misturam factos, interpretações e conclusões que os documentos não permitem. Estes são os esclarecimentos essenciais.

  • Não ser reconhecido pela FCI significa não ter ascendência documentada.Reconhecimento por uma federação e documentação genealógica são questões diferentes. É preciso examinar quem emitiu o pedigree, os registos e a filiação, sem apresentar sistemas distintos como equivalentes.
  • Um dorso reto ou a designação «linhagem antiga» garantem saúde.A aparência e o nome não substituem resultados de rastreio, avaliação veterinária e informação sobre os parentes. A displasia tem uma componente hereditária complexa e influência de fatores ambientais.
  • O pastor alemão tem sangue de lobo.O boato era sobre a Mores Plieningen, mãe do Hektor von Schwaben, que seria neta ou bisneta de um lobo. Stephanitz escreve em 1923 que se provou sem fundamento, e que nem o Hektor nem os filhos o confirmavam.
  • Stephanitz era veterinário.As fontes institucionais consultadas identificam-no como capitão de cavalaria. Não sustentam a apresentação como médico veterinário.
  • O pastor alemão foi o primeiro cão-polícia.Os primeiros cães da polícia alemã, em 1896, eram dogues.
  • Rolf vom Osnabrücker Land foi Sieger de 1951.De 1946 a 1954 não houve Sieger. Rolf encabeçou a seleção «Excelente» de 1951.
  • A WUSV foi fundada em 1968.1968 é a união europeia, a EUSV. A WUSV é de 1974.
  • Há uma única data de exclusão que dispensa consultar o regulamento.As referências a 1930 e 1991 exigem identificar a versão do standard e o tipo de pelo abrangido. Datas diferentes não são, por si só, uma contradição.
  • 2008, 2010 e 2011 são versões incompatíveis da mesma data.2008 corresponde à decisão do SV; 2010 à aprovação e publicação do standard FCI; 1 de janeiro de 2011 à sua aplicação, indicada na circular 111/2010.
  • Todo o Altdeutscher é necessariamente de linha DDR.Há clubes que referem ascendência oriental em algumas linhas. Para um cão concreto, essa origem tem de ser demonstrada pelo pedigree.
  • Em 1990 os cães da fronteira foram abatidos em massa.As fontes falam em 1 500 colocados na RDA e 2 500 na RFA.
  • É a segunda raça mais popular do mundo.O levantamento de 25 países, baseado sobretudo em dados de 2011, não demonstra a posição mundial atual. Um ranking deve indicar o ano e a organização que o produziu.
  • O pelo comprido prova que houve um cruzamento recente.Não. A herança recessiva permite que nasçam cães de pelo comprido de pais de pelo curto portadores. A ascendência verifica-se pelos registos genealógicos.
  • Chips era um pastor alemão.Era um cruzamento de pastor alemão com husky.
16O legado continua

O que vale a pena preservar

O pelo comprido tem lugar nos primeiros documentos da raça. Quando ficou de fora da criação no SV, houve criadores que continuaram a escolhê-lo, a reproduzi-lo e a registar a sua descendência. Essa continuidade merece um lugar nesta história.

Preservar uma linhagem exige mais do que conservar uma aparência. A responsabilidade passa por conhecer a ascendência, avaliar a saúde e dar valor à estrutura e ao comportamento de cada cão.

01

Genealogia verificável

Nomes, números de registo e filiação que possam ser consultados. A expressão «linhagem antiga» ganha substância quando se consegue seguir o percurso dos antepassados.

02

Saúde documentada

Resultados individuais, identificação do cão, data e entidade avaliadora. O pedigree conta a ascendência; os exames acrescentam informação sobre a saúde.

03

Função e equilíbrio

Observar o cão a mover-se, a aprender e a relacionar-se. A beleza que importa preservar tem de ser compatível com uma vida ativa e com bem-estar.

Arquivo Von Silfrohn · Os cães de hoje

A história continua no terreno

Esta herança ganha rosto nos nossos cães e na vida que partilhamos com eles. Os passeios, a relação com as pessoas e o treino mostram dimensões diferentes do mesmo animal.

Na criação e na educação, procuramos dar continuidade a essa versatilidade: conhecer a genealogia, documentar a saúde e acompanhar o desenvolvimento e as capacidades de cada cão.

Um pastor de pelo comprido junto de um jovem, à beira da lagoa.
Companhia no quotidiano. Um momento à beira da lagoa, no arquivo da Quinta Silfrohn.Arquivo Quinta Silfrohn.
Uma pastora jovem sentada junto da pessoa que a acompanha, à beira da lagoa.
Crescer com as pessoas. Os passeios e os momentos partilhados também fazem parte da vida de um cão.Arquivo Quinta Silfrohn.
Retrato de um pastor de pelo comprido do arquivo da Quinta Silfrohn.
O cão por inteiro. A expressão, o pelo e a presença de um dos nossos pastores.Arquivo Quinta Silfrohn.
Korum durante um exercício de proteção, com a condutora e o figurante.
Korum em trabalho de proteção. Um registo de treino com condutora e figurante, em contexto desportivo.Arquivo Quinta Silfrohn.
Uma saída à lagoa. Os nossos cães em passeio, num registo do arquivo da Quinta Silfrohn. Vídeo de 4 min 34 s; reprodução manual.Quinta Silfrohn · Dog Trip to the Lagoon.

A matilha em liberdade

Os cães Von Silfrohn a passear em grupo, na névoa da manhã. Filme da Quinta Silfrohn.

Aruk

Um dos cães Von Silfrohn, em filme. Quinta Silfrohn.

Na Von Silfrohn, é com documentos e com os nossos cães que queremos contar esta história. O nome merece respeito; o trabalho de criação merece ser demonstrado. Honrar o passado é assumir essa responsabilidade no presente.

Conhecer os cães Von Silfrohn · Compreender os nossos pedigrees

17Perguntas frequentes

Perguntas frequentes sobre a história do pastor alemão

Respostas curtas, com o capítulo onde está a fonte.

Quem criou o pastor alemão?

Max von Stephanitz, capitão de cavalaria. A 22 de abril de 1899 apresentou em Karlsruhe o seu cão, Horand von Grafrath, e fundou nesse dia o SV, o clube alemão da raça. Horand foi inscrito com o número 1 do livro de origens, o SZ 1.

Capítulo 2
Quando surgiu o pastor alemão como raça?

Em 1899. Em setembro desse ano a primeira assembleia do SV aprovou em Frankfurt os sinais da raça, e em 1901 Stephanitz publicou o primeiro livro. Antes disso havia cães de pastor muito diferentes entre si; em 1891 a Sociedade Phylax tinha tentado organizá-los, sem sucesso.

Capítulos 1 a 3
O pastor alemão descende do lobo?

Não há fonte que o sustente. Em 1901 o próprio Stephanitz rejeitou como improvável a ideia de sangue de lobo nos cães de pastor. A «cor de lobo», Wolfsfarbe, é o nome de uma pelagem, não de um parentesco.

Capítulo 3 e 15
O que é o pastor alemão de linhagem antiga, o Altdeutscher Schäferhund?

É o pastor alemão de pelo comprido criado fora do SV e da FCI, por clubes independentes como o DASV, que situa a sua fundação em 1997, e o ASZV, de 2001. O nome vem do livro de Stephanitz de 1921, onde «o chamado Altdeutscher» era um cão de pastor do sul da Alemanha. Não é uma raça reconhecida pela FCI; é o mesmo cão, com outro registo.

Capítulo 12
Qual é a diferença entre o pastor alemão de pelo comprido e o de linhagem antiga?

Partilham a origem e o pelo. A diferença está no registo e nos critérios de seleção. No SV e na FCI, o pelo comprido com subpelo é uma variedade do pastor alemão desde a decisão de 2008 e o standard de 2010. Fora deles, criadores independentes mantêm o nome Altdeutscher e os seus próprios livros de origens.

Capítulo 12
Porque é que o pelo comprido ficou de fora da criação durante décadas?

O primeiro texto contra ele é o livro de 1901: Stephanitz recomendava reconduzi-lo ao pelo curto, porque vinha muitas vezes com pouco subpelo e podia esconder cruzamentos. Quando o conselho passou a exclusão formal não está documentado. O SV só voltou a criar nas duas variedades em 2008.

Capítulo 3 e 12
Que cores tinha o pastor alemão original? O branco é permitido?

O standard de 1899, impresso no livro de 1901, admitia o preto, os cinzentos, o amarelo-avermelhado, o castanho, a «cor de lobo» e o branco puro. O branco saiu do standard em 1933 e continua fora dele.

Capítulo 3 e 6
Quanto tempo vive um pastor alemão?

Na amostra britânica do estudo de O'Neill e colegas, de 2017, a longevidade mediana foi de 10,3 anos. Na saúde, o SV radiografa ancas desde 1966, e no seu programa a displasia média e grave desceu de 27 % para 2 %.

Capítulo 10
O pastor alemão é um bom cão de trabalho?

Foi criado para isso. «Criar pastores alemães é criar cães de trabalho», dizia o SV. Serviu como cão sanitário e mensageiro na Primeira Guerra, foi o primeiro cão-guia, em Oldenburg, em 1916, e continua nas polícias e nos exércitos, embora em alguns serviços o malinois já seja mais numeroso.

Capítulo 4 e 11
Fontes e critérios de leitura

Privilegiamos os livros históricos, os regulamentos e as publicações científicas. Os relatos de clubes documentam a história e a posição dessas organizações; as estatísticas conservam o ano e a população a que se referem. Uma hipótese genealógica exige registos de filiação. As traduções apresentadas nesta página são de apoio à leitura e devem ser comparadas com o original.

  1. FCI, circular 111/2010, de 23.12.2010: aplicação do standard revisto a partir de 01.01.2011. Documento.
  2. UC Davis, Veterinary Genetics Laboratory: comprimento do pelo e FGF5 e mielopatia degenerativa e SOD1.
  3. OFA: displasia da anca, hereditariedade e avaliação.
  4. DASV: ano de fundação declarado e descrição da seleção do Altdeutscher. UCFAS: relato histórico do clube, com referência a ascendência DDR em algumas linhas.
  5. GWS, apresentação histórica do pastor branco suíço disponibilizada pela FCI: Greif von Sparwasser e a exclusão da cor branca, p. 4.
  6. CPC: confirmação de raça e acesso ao Registo Inicial.
  7. M. v. Stephanitz, Der deutsche Schäferhund in Wort und Bild, 1.ª ed., 1901 (citadas aqui as pp. 8, 10–15, 46, 60 e 81). Bayerische Staatsbibliothek
  8. Idem, 6.ª ed., 1921. Internet Archive · ed. inglesa de 1923 (pp. 98–99 e 123–124), Internet Archive
  9. SV, crónica 1899–2024. schaeferhunde.de · história do SV
  10. SV, estatutos (registo de 15.04.1946). schaeferhunde.de
  11. SV, catálogo da BSZ 2024, lista oficial de Sieger, pp. 179–186. schaeferhunde.de
  12. SV, procedimento HD, brochura de 26.04.2013. brochura · mielopatia degenerativa, SV-Zeitung 7/2014, pdf · Körung 2025
  13. SV, Info ZBA-904 (2018) e ZBA-967 (2024). 904 · 967
  14. FCI, standard n.º 166, 2010. fci.be · circular 80/2018 sobre a IGP, pdf
  15. GSDCA, história da raça nos EUA. gsdca.org · AKC, raças mais populares. akc.org
  16. Kennel Club, declaração sobre o pastor alemão, julho de 2016. thekennelclub.org.uk · registos 2024
  17. GSD Council of Victoria, história (proibição australiana). gsdcv.org.au
  18. International Guide Dog Federation, história dos cães-guia. igdf.org.uk · The Seeing Eye, história · Guide Dogs UK, raças
  19. AFI Catalog, The Silent Call. catalog.afi.com · Library of Congress, National Film Registry 2004. loc.gov
  20. Scarsbrook et al., «A 120-y time series of genomes reveals the consequences of closed breeding in German shepherd dogs», PNAS, 2025. doi · comunicado da LMU, lmu.de
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  22. Bundestag, Drucksache 19/16276, cães da Bundespolizei, 2020. pdf · Bundeswehr, cães de serviço, 2021. bundeswehr.de
  23. PDSA, Medalha Dickin: Appollo · Chips · USAF, Nemo A534 · 9/11 Memorial, os cães do Ground Zero
  24. VDH, estatística de cachorros. vdh.de · CPC, relatórios e contas de 2017 e 2024 · resultados de Aveiro
  25. Governo federal alemão, a fronteira interalemã · Bundesstiftung Aufarbeitung, o Muro · Der Spiegel 5/1990 · W. Dalm, Die Zucht des Deutschen Schäferhundes in der ehemaligen DDR, SV, 1998 · M.-L. Scherer, Die Hundegrenze, 2013
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